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"Banquei a folha por muito tempo", diz Alexi Portela





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  • Eduardo Martins | Ag. A Tarde
    O presidente do Vitória foi sabatinado por jornalistas do grupo A TARDE
Foi preciso montar um bom elenco para enfrentar a entrevista exclusiva com o presidente do Vitória, Alexi Portela. Restando menos de um mês para deixar o cargo,  o gestor enfrentou a marcação pesada dos repórteres Jacson Brasil e dos editores Edmílson Ferreira e Marcio Menezes com perguntas sobre a gestão anterior, eleições, atletas e o futuro.

Sem firula, segue o "VT" da partida, ou melhor, da sabatina com o cartola rubro-negro.
Que balanço você faz de sua gestão no clube? Qual foi o ponto mais positivo?
Junto com as pessoas que tiveram ao meu lado nos oito anos, entre interino e presidente eleito, conseguimos reerguer o Vitória. Saneamos o clube e trouxemos de volta para o torcedor a alegria de ser rubro-negro. Hoje, o torcedor tem novamente o orgulho  ser Vitória.

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O que você se arrepende de ter feito na sua gestão?
Não era meu sonho ser presidente do Vitória. Meu pai já tinha sido presidente e eu sabia o tamanho do problema. Porém, quando vi o Vitória na Terceira Divisão, mudei de ideia. Me arrependo de não ter feito uma auditoria profunda para mostrar ao torcedor como estava o clube. Havia notas fiscais de R$ 3,6 milhões, de R$ 2,4 milhões para recuperação de drenagem que nunca ocorreu, dadas a empresas de eletrodomésticos. Ainda temos isso tudo no clube. Usavam notas frias... Se fosse hoje, seria bem diferente.
Então você se arrepende de não ter denunciado o que tinha encontrado no clube...
Quando entramos, eu não queria olhar para trás. Entrei apenas querendo melhorar o Vitória, sem mirar o retrovisor. Porém, me arrependi de não ter olhado para trás. Teve um grupo formado para fazer isto, mas não foi feito, pois havia muito incêndio para apagar no clube. Ficamos sozinhos para fazer muita coisa de uma vez. Então, decidimos que a prioridade era reerguer o clube.
E o que você encontrou para disputar a Série C de 2006?
Encontramos os campos destruídos; um time caro, com jogadores ganhando um absurdo. Marcelo Heleno (zagueiro) ainda tinha um contrato de dois anos! Vários atletas com salários fora da realidade... Funcionários alegavam que estavam há cinco meses sem receber salários e vale transporte. Estava um negócio... [pausa] muito complicado, viu. Quase inviável. Na época, tive uma reunião com Zé Rocha e falávamos como iríamos conseguir dinheiro. Ninguém queria tirar do bolso para bancar o Vitória. Me chamaram de maluco quando tirei do meu. De fato, foi um pouco de maluquice. Porém, eu acreditava no meu projeto.
Por quanto tempo você sustentou o Vitória?
Mais de três anos...  Não me arrependo. Conseguimos reverter tudo isto e hoje o Vitória não deve a ninguém. Somos autossustentáveis. O primeiro dinheiro que usei no Vitória foi pela compra de Índio. Foi feita uma reunião decidindo sobre a compra do jogador, pois ele poderia ir para o Bahia. Porém, ninguém falava em dinheiro. Iria arrumar onde? Eu perguntei quanto era e dei os R$ 100 mil. Alguns sugeriram para que eu ficasse com os direitos econômicos, mas eu recusei. No dia que o Vitória pudesse me devolver o dinheiro, devolveria. Trouxemos Índio, Bida e Garrinchinha. Paguei a folha do Vitória durante muito tempo, mas o clube não me deve mais nada.
Você recebe muitas críticas do ex-presidente Paulo Carneiro, que assegurou ter deixado o clube estruturado e com uma "dívida muito pequena"...
Ele fez alguma coisa pelo clube? Claro que fez. Porém, ele vivia do clube, sempre viveu. O intuito de algumas pessoas é voltar a viver do clube, mas o Vitória está estruturado agora. Basta conversar com alguns funcionários  para saber quem fala a verdade.   Um clube não pode cair da Série A para C por acaso. Algumas coisas estavam acontecendo. O Vitória não tinha coragem nem de demitir o contador. Por que? Quem demitiu o contador foi eu. Ele ameaçou, disse que iria botar a boca no mundo e eu mandei que fizesse isto. Entrou apenas com uma ação contra o clube...
Depois da queda para a Série C, o Vitória conseguiu voltar para elite ne mesma velocidade. Como foi este feito?
A primeira coisa que fiz foi reunir o elenco e dizer que o Vitória não atrasaria mais os salários. E nunca mais atrasamos. Quando estamos em dia, podemos cobrar empenho. Na Série C de 2006, precisávamos ganhar seis de sete jogos para subirmos. Todo mundo querendo trocar o técnico (Mauro Fernandes), mas não tinha nenhum nome. Chamei na minha sala Leandro Domingues, Preto, Sandro e Vanderson. Perguntei a eles onde estavam os craques do time e porque estávamos naquela situação. Naquela época, alguns, como Índio, já estavam começando a ir pra farra. Cobrei e tivemos o retorno. Os caras jogaram muito.
Você já atropelou decisões de diretores de futebol?
Muitas vezes. Quem montou o time de 2012 foi eu. Decidimos profissionalizar o clube e trouxemos um diretor do Sul (Newton Drummond). Ótimo profissional. Falaram que o elenco era bom por causa dele, mas quem montou 100% do time foi eu. O que ouvia dele era que estava difícil trazer jogadores. Acabei tomando a frente...
Falavam que você não coçava o bolso para contratar. Qual são as dificuldades?
Quitamos muitas dívidas nos anos anteriores. Nós pagamos mais de R$ 30 milhões de dívidas do Vitória, não apenas com impostos, mas também com causas trabalhistas que davam mais de R$ 12 milhões. Era difícil construir um elenco com tanta coisa para pagar. Hoje, não temos mais dívidas. O que está acontecendo com o clube? A receita para pagar dívidas está diminuindo e voltando para o futebol. A cada temporada estamos conseguindo construir um elenco melhor. O que a maioria faz? Esquece a dívida da gestão anterior e não paga nada. Eu paguei. Fiz acordo com o TRT e 15% da receita do Vitória ia direto para 2ª instância para quitar nossas dívidas. Não estava brincando quando disse no início do ano que brigaríamos pela Libertadores. Nossa receita está crescendo com a quitação das dívidas.
O que foi feito com as dívidas do Vitória S/A? Ainda constam como dívidas ativas?
Uma das primeiras coisas que fiz foi viajar para a Argentina no intuito de comprar a parte do Vitória S/A. O clube devia mais de 4 milhões de dólares. Disse que não tínhamos este dinheiro. Eles bradaram, gritaram. Eu, calmamente, mandei que eles então viessem cuidar do clube. Foi tenso. Foi preciso peito para chegar lá e dizer que não iríamos pagar. Com o tempo, eles foram amansando e fechamos a quitação por 1 milhão de dólares. Pagamos mais R$ 12 milhões com outras despesas do Vitória S/A, como confissões de dívidas. Óbvio que houve coisas que não reconhecemos, algumas absurdas... Temos dívidas feitas no  último dia da gestão anterior. Pelo amor de Deus, bicho... Não vamos reconhecer!
Paulo Carneiro revelou que o Vitória já se comprometeu em jogar 10 jogos na Arena Fonte Nova em 2014 e a tendência é abandonar o Barradão. O que tem de verdade nisso?
Quem não tem o que falar, inventa mentiras. Nunca disse que iríamos jogar lá ano que vem. Falei que jogaríamos cinco partidas este ano e jogamos. Não tem nada negociado e nossa casa é o Barradão. Não vamos mais jogar na Arena? Não sei, eu nem serei mais o presidente. É preciso ser pontual. É bom jogarmos uma partida ou outra na Fonte Nova, mas não será regra.
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